Archive for Sem categoria

Desalento: por que as pessoas desistem de buscar colocação no mercado?

Para jovens, desalento tem a ver com revolta. Eles estudaram, têm currículo e, ainda assim, não conseguem trabalho.

23 de outubro de 2009
Por Karin Sato – InfoMoney
Os desalentados são aqueles desempregados há mais de 12 meses e que desistiram de buscar uma colocação no mercado de trabalho, não tendo participado de nenhum processo seletivo nem enviado currículo nos últimos 30 dias.
A socióloga Fabiana Jardim decidiu pesquisar os motivos para as pessoas simplesmente interromperem a busca por um emprego. O resultado foi um livro intitulado “Entre desalento e invenção: experiências de desemprego em São Paulo”.
O trabalho de campo foi feito entre 2002 e 2004, no Centro de Solidariedade de Osasco, em São Paulo. Concluiu-se que muitos dos desalentados desistem da busca por um emprego porque não conseguem compreender a dinâmica do mercado de trabalho.
Em um dos capítulos do livro, a autora se detém sobre a história de José, cujas características tornam possível a discussão acerca dos aspectos mais típicos de trajetórias de trabalho iniciadas em meados da década de 1970 e resultaram, no início do século 21, em casos de desalento.
A história de José
“Como a maior parte dos homens que entrou para o mercado de trabalho nos anos 70, José sempre conseguiu circular no mercado de trabalho formal sem muita dificuldade, mesmo não tendo profissão definida. Mas, desempregado em 2002, ele toma a decisão de desistir de procurar emprego. O motivo é que não consegue entender a nova dinâmica de busca pelo trabalho”, explicou Fabiana.
Segundo ela, o desalentado não consegue mais entender como procurar um emprego. “Em décadas anteriores, ele passava pelas fábricas, tinha contato direto com os empregadores e conseguia uma vaga, ao mostrar disposição para trabalhar”.
“Mas, atualmente, o funcionamento desse mercado é diferente. É preciso ir às agências de emprego – o que, para homens desempregados e com mais de 40 anos, é uma grande angústia. Vários entrevistados diziam ir à agência apenas porque era preciso fazer algo. Mas, ao preencher a ficha, já percebiam que estavam fora do perfil do trabalhador ideal”, relatou a socióloga, para quem a mudança na lógica do trabalho e do emprego ocorreu especificamente em meados da década de 90, com a proliferação das agências de emprego.
Já entre os jovens, o desalento já tem outro significado: alguns desistem por cansaço e revolta. “Eles reclamam que têm escolaridade, segundo grau completo, cursos de qualificação. Mas manifestam desânimo ou raiva, porque, mesmo com esse currículo, não conseguem trabalho. É como se seguissem à risca as regras do jogo, mas fossem trapaceados por um sistema irracional, aleatório, dependente da sorte”.

Comments off

O Líder sem Caráter

Por Marco Fabossi – www.administradores.com.br
Ao contrário do que se possa imaginar, o caráter do líder não transparece apenas nos momentos críticos ou difíceis, mas, principalmente, nos momentos mais simples e cotidianos.

São situações tão comuns ao nosso dia a dia que, ao não darmos a devida atenção, corremos o risco de transmitir uma imagem negativa sem nos dar conta disso. Por exemplo, quando uma pessoa atende ao telefone e diz que alguém deseja falar com você, sussurrando você responde pedindo para dizer que não está no momento.
Com este gesto aparentemente inofensivo, em casa ou no trabalho, estamos comunicando, ainda que sem palavras, inúmeras mensagens negativas com relação ao nosso caráter. Estamos “dizendo” que mentir é algo normal e que enganar as pessoas tampouco é algo que possa comprometer as relações, sejam elas profissionais ou pessoais.
Desta forma, você confiaria em alguém que mente para os outros? Afinal, se uma pessoa mente para outros, não poderia mentir para você também?
Neste contexto, para falar de líder sem caráter, é importante antes ressaltar a diferença entre caráter e personalidade. De uma maneira bem simples, podemos dizer que personalidade é a máscara que usamos para que o mundo nos enxergue dessa forma, enquanto o caráter é o que realmente somos quando tiramos nossas máscaras. É por isso que uma personalidade encantadora pode abrir muitas portas e nos conduzir a posições de liderança, mas somente o caráter poderá mantê-las abertas.
O caráter é inerente à liderança, já que liderança é caráter em ação; portanto, a primeira conclusão que podemos tirar, com relação a líderes sem caráter, é que eles não existem. O que vemos, na verdade, são pessoas que ocupam posições de liderança, muitas vezes conquistadas por uma personalidade encantadora e envolvente, mas que, em vez de buscarem o bem-estar daqueles que estão ao seu redor, preferem fazer uso do poder e da influência em benefício próprio.
São chefes, senadores, deputados, presidentes, déspotas, tiranos, opressores, diretores ou qualquer outra coisa, mas não podem ser chamados de líderes. Eles se esqueceram que sua liderança só existe por causa das pessoas que estão sob sua responsabilidade.
Mas, como deve agir um verdadeiro líder? Um verdadeiro líder influencia e inspira as pessoas, servindo-as com amor, caráter e integridade, para que vivam com equilíbrio e trabalhem com entusiasmo em direção a objetivos e resultados legítimos, priorizando a formação de novos líderes e a construção de um futuro melhor.
Influenciando e Inspirando Pessoas
Muitos dizem que liderança é influência, mas esta afirmação é insuficiente para defini-la. Não basta influenciar, é preciso que a influência seja responsável e positiva, sendo que a melhor maneira de exercê-la é por meio do exemplo. Se palavras movem, os exemplos arrastam.
Já a motivação é o resultado da inspiração.
Quando algo ou alguém nos inspira, é como se Deus soprasse em nós mais vida. É por isso que o líder deve ser alguém inspirador, que produz vida, que dá ânimo e enche as pessoas de fôlego, levando-as a sentirem-se motivadas a conquistar coisas até então supostamente inalcançáveis, estabelecendo a conexão entre o que as pessoas fazem e a grande obra, a grande missão. Assim como um mestre de obras que mostra aos seus operários que eles não estão apenas assentando tijolos, mas construindo lares para que famílias sejam felizes.
Servindo com Amor, Caráter e Integridade
Enquanto o servo dá às pessoas o que elas querem, satisfazendo seus desejos ou caprichos, o verdadeiro líder serve as pessoas dando o que elas realmente precisam. Esta é a diferença entre ser servo e servidor. O grande problema é que é muito mais fácil ser servo do que servidor. Fazer aquilo que as pessoas querem, como por exemplo, um “falso elogio”, dá muito menos trabalho do que dizer o que elas precisam ouvir.
Em liderança, o amor não se revela apenas por meio de sentimentos, mas pelas atitudes e ações do líder, independentemente do que ele sente pelas pessoas. Em liderança, o amor é, na verdade, aquilo que o amor faz. O verdadeiro líder age com caráter, assumindo o compromisso de fazer o que é certo, mesmo quando isso é difícil; de fazer o melhor mesmo quando não deseja fazê-lo.
Ele é íntegro, inteiro, coerente e sabe que o mínimo que você deve oferecer aos seus liderados é a oportunidade de que saibam quem ele realmente é.
Tendo em mente estes conceitos e parâmetros, é possível entender a verdadeira essência da liderança que é, na verdade, o poder de influenciar e inspirar as pessoas, servindo-as com amor, caráter e integridade.

*Marco Fabossi é coach associado do Top Institute, consultor e palestrante com foco em Liderança. Autor do livro “Coração de Líder – A Essência do Líder-Coach”.
www.coracaodelider.com.br

Comments off

Auto-ajuda ou auto-atrapalha?

Enviado por: news.administradores.com.br

Depois dos calmos Quem mexeu no meu monge? e O monge, o queijo e a vida real, eu havia prometido não falar mais de livros de auto-ajuda. Mas quando vejo uma revista de administração que se diz topo-de-linha, aonde um articulista pretensamente idem vem com essa balela de “o seu sucesso só depende de você”, “você tem as rédeas da sua vida” e coisas semelhantes, eu não consigo me conter.
Pensei um pouco mais a fundo sobre o tema – pelo menos ele serve para alguma coisa – e bolei uma teoria que agora divido com vocês, em primeira mão. Mas segura aí porque vai doer! Senão vejamos:
A maioria desses livros se apóia na seguinte falácia: Você é brilhante e para ser um sucesso só falta querer! Isto é:
SER UM GÊNIO + QUERER SER UM SUCESSO = SER UM SUCESSO!
Bom, se você já é um gênio e a única coisa que faltava para ser um sucesso era querer ser um sucesso, então tudo está resolvido. Porque depois de ler o livro de auto-ajuda você também passou a querer ser um sucesso! OK, então eu concordo que as pessoas devem ler UM livro de auto-ajuda, porque ele as fará querer ser um sucesso.
Bom, então o passo seguinte é todo mundo virar um sucesso, certo? Mas peraí, nem todo mundo é um sucesso… Então deve ter alguma coisa errada com a equação acima.
Se a segunda premissa é verdadeira (afinal, quem não quer ser um sucesso?) e o resultado esperado não aconteceu, então deve ter alguma coisa errada com a primeira premissa.
Exatamente! O problema está aí! Você não é um gênio…
Há algumas razões para isso. Mas há, também, muita esperança e você não precisa desanimar!
Em primeiro lugar não há motivo nenhum para ficar triste. Eu também não sou um gênio, porque também quero ser um sucesso, mas não sou. Logo, você tem ao menos a minha companhia.
Então, depois de ler o seu primeiro livro de auto-ajuda, você descobriu duas coisas:
1. Você não é brilhante;
2. Você precisa querer ser um sucesso – e isso você já quer!
Então, a única coisa que você precisa consertar é a primeira. Você precisa ser brilhante e, para isso, só existe uma maneira: RALAR, ESTUDAR!
O grande problema disso é que as pessoas não querem ralar, não querem estudar, querem o menor esforço. Elas querem ser brilhantes – e, conseqüentemente, um sucesso – sem nenhum trabalho. E os picaretas que escrevem livros de auto-ajuda prometem exatamente isso: você vai tornar-se um sucesso da noite para o dia sem nenhum esforço. Claro, porque querer ser um sucesso não dá trabalho nenhum e é, aliás, uma tendência natural do ser humano. Praticamente uma obrigação.
Aí, o sujeito nada brilhante que lê esse livro prefere acreditar somente na parte que diz que ele vai ser um sucesso sem fazer nada, do que na que diz que ele vai ter que estudar muito e que isso vai dar um trabalho danado.
Más notícias, amigo, isso não vai acontecer.
Recentemente o Malcolm Gladwell abordou esse tema em Fora-de-série/Outliers – que você não leu porque tinha nas mãos a décima versão de “O padre e a cafetina” – mostrando que há três fatores essenciais para o sucesso: ser brilhante, praticar e sorte.
Você – que, lembre, não é brilhante – acha que estudar dá trabalho, praticar dá mais ainda e prefere, assim, apostar tudo na sorte. Afinal de contas, os papas da auto-ajuda dizem que se você realmente acreditar, a sorte virá. E você acredita. Senta em cima da sua bunda e fica esperando. Só que eles te enganam, espertamente esquecendo de dizer que você precisa se esforçar um pouco, ao menos. É como se Deus te dissesse que você vai ficar rico ganhando na loteria e aí você nem sequer se dá ao trabalho de comprar o bilhete.
Certa vez o magnata do petróleo Jean Paul Getty deu sua receita de sucesso: “Acorde cedo, trabalhe muito, ache petróleo”. Perfeito! O problema é que ela só funcionou para cinco pessoas até hoje. Eu, particularmente, não tenho nenhum amigo que achou petróleo na rua. Tudo bem, eu tenho poucos amigos. Talvez você conheça alguém que achou.
Mas não, as pessoas continuam a acreditar nisso. Tinha uma pessoa que trabalhava comigo que sonhava com uma posição na área comercial – onde era preciso estudar muito, falar muito bem para ser convincente e ter facilidade com números. Tudo o que essa pessoa não tinha – e que demoraria muito para conseguir. Eu brigava com o meu chefe, porque em vez de ficar incentivando esse sonho inalcançável, penso que ele deveria apontar-lhe caminhos mais factíveis, de acordo com as habilidades que ela já tinha, ou com as que conseguiria desenvolver mais facilmente.
Sonhos impossíveis não servem para manter a esperança acesa. Servem para confirmar um futuro frustrado. Dizem que devemos deixar as pessoas sonharem com o que quiserem. Tudo bem, desde que realmente saibam que aquilo é uma fantasia. Tipo Smurfs voadores ou baleias falantes.
Mas sonhar em ser astro da novela das oito (a menos que você realmente esteja se dedicando à carreira de ator) ou campeão do mundo de futebol (desde que você tenha entrado na escolinha com três anos de idade) não te farão uma pessoa feliz. Não faz bem querer ser bebê Johnson’s com vinte e nove anos.
Claro que é melhor sonhar do que ser pessimista. Mas sonhar enquanto faz alguma coisa pelo seu sonho é melhor ainda! Então vá lá! Leia um livro de auto-ajuda. Qualquer um, porque tanto faz. Se você já leu, então mãos-à-obra, vá estudar! Mas se começar a ler o segundo livro de auto-ajuda, então definitivamente você não é um gênio.
Outra prova disso, é que livros de auto-ajuda vendem milhões de cópias e os casos de sucesso são bem menos frequentes do que isso. Então a fórmula não funciona. No todo, ou em parte dela. Qual parte? Provavelmente a que diz que você é um gênio.
**********
O que esses livros realmente dizem, nas entrelinhas, é que todos nós somos uns bostas. Porque se só depende de nós sermos um sucesso – e mesmo assim somos uns bostas – então quer dizer que somos realmente uns bostas. Ninguém prefere continuar a ser um bosta se tiver a opção de ser um sucesso ao alcance das mãos.
Talvez o problema resida no fato de as pessoas darem um valor desmedido à esperança e aos elogios (“Você é um gênio e, para ser um sucesso, só falta querer!”). Num interessante artigo sobre Qualidade e Performance, Peter Scholtes conta a ilustrativa história vivida pelos pilotos e instrutores da Força Aérea de Israel.
Estes notaram que, depois de um vôo ruim, seus pilotos eram repreendidos e, então, melhoravam a performance. Por outro lado, os pilotos que faziam bons vôos e recebiam elogios acabavam por piorar suas performances nas tarefas subseqüentes.
Mas em vez de atribuir a melhora da performance à reprimenda e a piora ao elogio, eles perceberam que as mudanças nada mais eram do que caminhos naturais.
Quando você atinge a sua melhor marca, o caminho natural é piorar. Do mesmo modo, quando faz um trabalho ruim, provavelmente vai melhorar depois. Naturalmente.
Então, quando você está no fundo do poço, só há um lugar para onde pode ir: para cima.
**********
Antes de ser um pessimista-fatalista, espero que você veja nesse texto uma necessária dose de realidade na hora de pensar em seus sonhos. A tão propalada auto-ajuda dos livros adormece suas ambições, travestindo-as de falsa esperança. Ela te embala com a promessa de um maravilhoso sonho, enquanto você vive uma dura realidade, bem diferente daquela pintada em letras douradas na conta-corrente do autor que te engana. Assim, a grande falácia da auto-ajuda nada mais é do que uma grotesca lorota de auto-atrapalha.

Comments off

Oportunidades e desafios olímpicos

No início de setembro, cerca de um mês antes da confirmação do Rio de Janeiro como sede da Olimpíada de 2016, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou um estudo sobre seus possíveis impactos econômicos.

As análises basearam-se nos indicadores de três edições do grande evento: Barcelona (1992), Sydney (2000) e Pequim (2008).
Entre outras informações, o estudo revela que, em Barcelona, a taxa de desemprego caiu pela metade e permaneceu um terço menor do que no restante da Espanha. Os chineses, por sua vez, aproveitaram os Jogos de Pequim para fortalecer a imagem do país perante o mundo e para investir vigorosamente em infraestrutura, com a realização de obras que têm importância permanente para a população.
Em 2000, o setor da economia que mais se beneficiou com a exposição propiciada pelo evento foi o de turismo: o documento do Ipea informa que, entre os norte-americanos, o interesse pela Austrália como destino turístico cresceu 45%.
Num momento em que o Brasil está especialmente bem posicionado no cenário econômico mundial, o direito de sediar as competições é uma conquista mais do que bem-vinda, pois nos abre várias frentes de atuação e desenvolvimento.
Para o Rio de Janeiro, eterna cidade-símbolo do Brasil, a responsabilidade de se adequar às exigências inerentes a uma sede olímpica representa um enorme desafio – e, também, uma oportunidade valiosa para elevar o nível de emprego, aprimorar as obras de infraestrutura realizadas por ocasião dos Jogos Pan-Americanos, reforçar a imagem de paraíso tropical dotado de uma indústria turística madura e incrementar a segurança pública, que permanece como o calcanhar-de-aquiles da capital fluminense.
É certo que a economia brasileira como um todo, e a do Rio de Janeiro em particular, sentirá os impactos positivos dessa intensa movimentação: as expectativas de investimentos em obras e na organização dos Jogos, por parte de Município, Estado e Federação, giram em torno de R$ 30 bilhões.
A premência de obras necessárias gera um evidente impacto positivo no setor da construção civil, mas há desdobramentos saudáveis em inúmeros segmentos. Haverá aumento da demanda nos setores hoteleiro e de transportes (das empresas aéreas às prestadoras de serviço em rádio-táxi), no varejo, nas áreas de entretenimento, bares e restaurantes, nas telecomunicações…
A realização da Olimpíada representa, portanto, uma perspectiva e tanto no que se refere à geração de riqueza e emprego e de aumento de arrecadação, que se estenderá pelos próximos sete anos, ou talvez mais. Os jovens terão mais chance de conseguir seu primeiro posto de trabalho, os empreendedores encontrarão terreno fértil para lançar as sementes de um novo negócio e os administradores públicos serão desafiados a mostrar o melhor de sua competência.
Vale ressaltar que as promessas felizes não se restringem à cidade que sediará os Jogos. Afinal, as companhias especializadas em grandes obras de infraestrutura atuam em vários estados e, em momentos cruciais como este, é comum haver recrutamento de profissionais de várias partes para que os prazos sejam cumpridos, e as expectativas, atendidas.
Além disso, quais são as chances de um turista que venha para o Brasil querer ampliar sua visita para outras cidades do país? Enormes, sem dúvida! Cabe lembrar que teremos aqui não apenas torcedores, mas também atletas e profissionais das comissões técnicas de todos os continentes. O trânsito desses turistas por outras cidades fluminenses, e até por outros estados do país, é bastante promissor.
Para que tudo dê certo – não é exagero afirmar que, neste momento, todo brasileiro se torna um anfitrião ansioso por receber seus visitantes de maneira impecável – os gargalos precisam ser solucionados. Do fornecimento de internet banda larga ao suprimento de energia, passando pela necessidade de assegurar a sustentabilidade de cada projeto que será efetuado, há muitas arestas a serem aparadas e detalhes a serem observados.
O sucesso depende de um bom alinhamento entre os setores público e privado, do planejamento racional e da constante busca de eficiência por parte de todos os atores envolvidos nessa imensa força-tarefa. É fundamental, também, que os princípios da ética e da transparência sejam obedecidos rigorosamente.
E nós, cidadãos brasileiros, temos o dever de nos inspirar nos exemplos dos grandes atletas. Juntos, vamos buscar a máxima performance no cumprimento das nossas atribuições! Somos agora uma nação-equipe, imbuída da missão de fazer a tocha olímpica de 2016 brilhar com mais intensidade que nunca!
*Eduardo Pocetti é CEO da BDO, quinta maior empresa de auditoria no Brasil e no mundo.

Comments off

Quando vale a pena deixar o emprego para trabalhar em uma empresa nova?

05 de outubro de 2009 às 08:30

Por Roberta de Matos Vilas Boas

O dilema existe e tem se tornado mais freqüente entre os profissionais brasileiros, com a chegada de empresas estrangeiras interessadas em investir no País: afinal, vale a pena deixar o emprego em uma companhia que já está consolidada no mercado para trabalhar em uma nova, que está surgindo agora?
Para a gerente de Planejamento de Carreira da Ricardo Xavier Recursos Humanos, Vanessa Novais, fazer essa escolha tem suas vantagens e desvantagens e a decisão dependerá do perfil de cada profissional. “Essa situação tem duas vertentes: pode acelerar a carreira, com um crescimento mais rápido, mas também pode significar um risco, porque pode ser uma furada”, explica.
Vanessa afirma que o profissional que se encontra nesse dilema deve pensar no que deseja nesse momento: acelerar o crescimento da carreira ou permanecer seguro na empresa atual? Além disso, deve avaliar a nova companhia.
“Existem muitas empresas estrangeiras que estão de olho no Brasil e estão vindo para cá, com capital para investir. O profissional tem que analisar se o grupo é consolidado lá fora, porque, neste caso, as vantagens podem ser muitas. Mas se é uma empresa totalmente nova, que não existe em outro país nem em outro estado brasileiro, o risco será maior que as vantagens”, ressalta.
Avaliando a empresa atual

Além de analisar a empresa nova, fazer uma avaliação da companhia atual também é importante, afinal de contas, ela pode existir há um certo tempo no mercado, mas não significa que esteja consolidada e sem riscos de apresentar prejuízos ou até mesmo de falir, futuramente.
Vanessa explica que essa análise deve considerar, além do tempo de mercado, o seu faturamento e se ela já passou por crises financeiras. “O mais importante é avaliar o faturamento, que deve ser maior que o da nova empresa, e o tempo de mercado”, explica. Para ela, uma empresa só pode ser considerada consolidada, caso já exista há mais de dez anos.
Lado bom e lado ruim

As vantagens de aceitar essa mudança são a aceleração no crescimento profissional e a remuneração maior. “O profissional fica com maior visibilidade no mercado, porque ele faz mais contatos e aparece mais. Ele não será apenas mais um gerente, mais um funcionário em uma empresa com 1 mil funcionários”, diz a gerente.
Em relação ao salário, Vanessa considera que, para que a proposta seja realmente vantajosa, a remuneração deve ser entre 30% a 40% maior que a quantia que o funcionário recebe atualmente.
Porém, a mudança também possui suas desvantagens, que vão além do risco de ser uma “furada”. “Em empresas novas, tem uma pressão muito grande dos investidores por resultados, e não há o peso do nome corporativo. Você não é um profissional daquela empresa conhecida, mas de uma que ninguém ouviu falar ainda”, ressalta.

Comments off

O que você prefere: ter mais tempo ou mais dinheiro? Que tal ter os dois?

Mais tempo - Mais dinheiro

Administrar melhor a vida e ter um futuro equilibrado é o sonho de todas as pessoas. Confira o bate-papo exclusivo com Christian Barbosa e Gustavo Cerbasi, autores do novo best-seller Mais Tempo, Mais Dinheiro.

30 de setembro de 2009

Por Fábio Bandeira de Mello

Muitas pessoas trabalham incansavelmente sem descobrir o que é mais importante: ter mais tempo ou mais dinheiro? O fato é que a maior parte das pessoas passa a vida inteira sem alcançar, satisfatoriamente, esses dois recursos.
Christian Barbosa, o maior expert brasileiro em gestão do tempo e produtividade, e Gustavo Cerbasi, o principal especialista em finanças pessoais do país, explicam no livro “Mais Tempo, Mais Dinheiro – Estratégias para uma Vida Mais Equilibrada” como tornar a vida mais rica em finanças para viabilizar sonhos e momentos para poder desfrutá-los. Veja a seguir a entrevista completa, exclusiva para o www.administradores.com.br, com os dois autores, e aproveite as dicas para tornar a sua vida mais próspera – em todos os sentidos.
Administradores: A premissa popular “tempo é dinheiro” é válida?
Christian Barbosa: NÃO! Tempo é mais que dinheiro, é vida, é um recurso que nunca mais volta. Dinheiro volta, saúde volta, sogra volta. Mas tempo perdido é tempo de vida que foi desperdiçado e totalmente inutilizado. Por isso precisamos urgentemente aprender e administrar nosso tempo.
Gustavo Cerbasi: Tempo e dinheiro são duas riquezas bastante distintas que se complementam. Quem não tem tempo, gasta mais dinheiro com urgências e conveniências. Quem tem mais tempo, adquire o que quer com mais criatividade e pesquisa, gastando menos.
Porém, não basta ter tempo para gastar menos dinheiro. É a sabedoria que dedicamos ao uso de nosso tempo e de nosso dinheiro que determinam o quão ricos somos. Por isso, a relação ideal entre as duas riquezas envolve planejar-se para ter muito dinheiro, e também para ter muito tempo para aproveitá-lo.
Administradores: Falando em gestão do tempo, qual o segredo para não se tornar escravo da agenda?
Christian: Aprender um método de gestão de tempo que ajude você a ter flexibilidade, espontaneidade e liberdade para fazer as coisas realmente importantes. Isso significa que o método é o mais importante e não a ferramenta. Você pode usar um Neotriad ou um caderno, ambos podem ser extremamente úteis se você tiver um modelo de uso eficiente. Resumindo, isso significa que não adianta planejar o dia todo, lotar a agenda. Precisamos aprender a mensurar nossas atividades e criar um planejamento que ajude a manter um bom ritmo de vida.
Administradores: Qualquer pessoa pode alcançar sua independência financeira ou isso é privilégio de poucos?
Gustavo: Sem dúvida, desde que tome as providências adequadas, com disciplina e simplicidade. Independência financeira não é questão de sorte ou de oportunidades dadas pela vida, mas sim de poupar algo em torno de 10% de nossa renda durante toda a carreira – repito: toda a carreira –, mantendo um padrão de vida compatível com os 90% restantes. Para evitar que incidentes destruam nossos planos de longo prazo, esses 90% deveriam incluir também a contratação de proteções, como seguros e formação de reservas financeiras para lidar com emergências.
Administradores: No geral, pessoas com dinheiro não conseguem desfrutar do que ganham devido à falta de tempo, e outras, com tempo de sobra, não têm dinheiro para gastar. Como buscar esse meio termo?
Christian: É preciso aprender a administrar ambas as riquezas, de forma integrada e sinérgica. A partir do momento que você começa a adotar em seu dia-a-dia, um método estruturado para organizar seu tempo e suas finanças, você começa a ter resultados no curto e médio prazo em ambos os recursos. O objetivo é que você “aprenda a aprender” como fazer um bom uso de tempo e dinheiro, de forma a colocar você no ciclo da prosperidade.
Gustavo: A busca do equilíbrio é o que nós chamamos, no livro, de construção do ciclo da prosperidade. É uma idéia simples, mas eu e o Christian conversamos durante quatro anos para traduzirmos nossas conclusões para o papel. Trata-se de esforçar-se para disponibilizar mais tempo, porém sem objetivar simplesmente “curtir” esse tempo.
Ao abrir mão do desfrute e dedicar esse tempo, por exemplo, ao planejamento financeiro, a pessoa passa a dispor de mais dinheiro. O ideal é que o dinheiro disponível não seja consumido com vontades, mas sim investido em estratégias e maneiras de dar sustentabilidade à maior disponibilidade de tempo e dinheiro. Uma forma de se conseguir isso é investindo na carreira, fortalecendo o currículo, aumentando a empregabilidade e fortalecendo sua independência profissional.
Essa conquista será um grande passo dado para a pessoa ter mais domínio de seu destino, viabilizando mais condições de administrar melhor seu tempo e dinheiro. Uma coisa puxa a outra, e em pouco tempo, com disciplina e persistência, a pessoa estará realmente desfrutando de tempo e dinheiro para suprir suas vontades.
Administradores: Por que é tão difícil conseguir identificar com clareza o que é prioritário e o que é importante em médio e longo prazo?
Gustavo: Não é uma reflexão simples. Devemos levar em consideração que, no Brasil, todos estamos prosperando e conquistando posições sociais melhores do que as que nossos pais tiveram. Queremos desfrutar dessa conquista, dar a nossos filhos o que não tivemos na infância.
Some-se a esse sentimento nossa dificuldade de planejar o longo prazo, o que nos leva ao sentimento de que todas as nossas conquistas são efêmeras, de que temos que “curtir o momento, pois ele pode não durar muito”. Sob essa visão, somos subconscientemente impulsionados a dar grande valor ao momento presente. Sofremos cotidianamente de excesso de sugestões.
Se nos falta dinheiro para realizar todas as nossas vontades, tendemos a abrir mão do que não é urgente (ou seja, a necessidade do futuro). Pior: como a maioria das pessoas faz isso e acaba fracassando no futuro, mas é resgatado pelos filhos, construiu-se uma regra social de que a vida é assim, dando conforto àqueles que não planejam seu futuro. Com isso, geração após geração, desperdiçamos o grande potencial de enriquecimento de nossa sociedade.
Administradores: Que dicas você daria para as pessoas utilizarem com mais inteligência o seu tempo?
Christian:
• Anotar suas demandas: Pois é impossível planejar aquilo que não consegue se ver claramente. Tire tudo da cabeça e escreva tudo que deve ser feito.
• Super alocar a segunda-feira: Uma segunda-feira mal planejada é a chave para estragar toda sua semana. Se você perder o controle das suas atividades na segunda e não recuperar na terça, dificilmente conseguirá manter o planejamento da semana.
• Não planeje o dia – O dia não deve ser planejado, deve ser priorizado! O planejamento é antecedência e isso significa que você deve planejar um mínimo de três dias à frente, caso contrário será quase impossível reduzir as urgências que você poderia prever.
• No Work By Mail – Quem paga seu salário não é o seu servidor de e-mail, logo não trabalhe para o e-mail! Trabalhe com prioridades que são definidas pela manhã e que podem chegar via e-mail nos horários em que você abrir seu correio eletrônico. É um grande erro ficar com e-mail aberto e sair fazendo tudo àquilo que chega.
• Não use o calendário para anotar tarefas. Seu dia possui tarefas e compromissos. Tarefas tem um dia específico para serem executadas, mas não tem um horário pré-determinado. Já os compromissos ficam na agenda, tem hora de início e término. Calendário não foi feito para agendar atividades ao longo do dia, além de deixar sua agenda mais inflexível é péssimo para realocar atividades no caso de furos.
Administradores: O que alguém que trabalha entre 10 a 12 horas por dia – e ganha pouco – deve fazer para ter mais tempo e mais dinheiro?
Christian: Descobrir se o que ele faz é realmente importante na vida dele e com isso, identificar se vale a pena continuar (fazendo ajustes para ter mais equilíbrio) ou se é o momento de buscar outras oportunidades na vida.
Muitas vezes entramos em uma perigosa zona de conforto e ficamos anos, na mesma situação, com os mesmos ganhos e com o mesmo tempo livre e isso só mantém você no ciclo da frustração ou da sobrevivência. Temos de saber o momento certo de parar com coisas que não estão trazendo resultados e investir em outras alternativas.
Gustavo: A pessoa deve parar de administrar pobreza. Nada de se conformar com o que ganha e tentar fazer poupança a partir de migalhas. O certo é ignorar a formação de poupança por alguns meses, talvez anos, visando investir fortemente em sua qualificação e no diferencial de seu currículo.
Vale fazer horas extras, dormir pouco e até trabalhar de graça, desde que haja propósito nessas escolhas, criando oportunidades de crescimento. Para quem poupa, não é nenhum pecado consumir todas as reservas para cursar um MBA ou um curso técnico, por exemplo. É garantindo solidez na carreira e boa empregabilidade que teremos reunido as condições para que nossos planos de longo prazo funcionem.
Repito: o erro de muitos está em querer desfrutar precocemente de suas conquistas, quando o ideal seria postergar esse desfrute por algum tempo, para que ele seja para sempre.

Comments off

Seja CEO da sua carreira e, depois, da empresa dos seus sonhos

28 de setembro de 2009

Por Carlos Cruz

Por isso, o jovem inicia sua carreira com o olhar direcionado para os altos cargos. Dentre eles, o posto de CEO (Chief Executive Officer ou, em português, Diretor Executivo) é o mais desejado. Ao contrário do que muitos pensam as competências e talentos necessários para ocupar um cargo como esses podem ser executados em qualquer etapa da carreira. Na verdade, quanto mais cedo se põe em prática, mais chances o jovem terá de realizar o sonho de um dia assumir a liderança de uma empresa.
Na verdade, poucos sabem o que faz um CEO e alguns até se questionam se ele é uma espécie de “Super Homem” dentro das organizações. Será que é? A resposta é simples: não. Esse profissional é reconhecido por sua capacidade de realização e transformação. Suas competências fazem com que ele consiga trazer melhores resultados para a empresa, tanto no que diz respeito aos lucros como à produtividade. Sua figura inspira os demais membros a trabalharem melhor e alcançarem suas metas de forma concreta e objetiva.
Acredito que antes de atingir esse cargo, o primeiro passo a ser dado é assumir a direção da própria vida, tanto profissional quanto pessoal. O que isso quer dizer? Precisamos assumir a responsabilidade das nossas ações, bem sucedidas ou não, dos nossos acertos e erros; aprender a tomar decisões e sustentá-las. Outras habilidades que precisam ser desenvolvidas para que se alcance o sucesso profissional são as capacidades de liderar e estabelecer metas ambiciosas, porém alcançáveis, para que não se crie frustrações desnecessárias.
Do outro lado do processo, ou seja, para quem já chegou ao cargo de CEO, é imprescindível que se mantenha o espírito jovem somado à voz da maturidade. Assim, esse profissional poderá transformar, aprender e inovar com mais facilidade e consistência. Estudos comprovam que as mudanças que demoravam anos para se concretizar durante as décadas de 80 e 90, hoje acontecem em três e cinco dias.
Dentre as competências mais importantes para um executivo que deseja obter sucesso no mercado, em ordem de importância, segundo uma pesquisa realizada pela PricewaterhouseCoopers, estão: flexibilidade para mudanças, liderança, capacidade de desenvolver pessoas, espírito colaborativo, criatividade, inovação e, por último, visão a longo prazo para antecipar e administrar os riscos para a empresa.
É importante que o jovem fique atento para não colocar o objetivo de se tornar um CEO em primeiro foco para sua carreira, nem com um fim, mas encarar esse fato como uma conseqüência de suas realizações ao longo do tempo. Estar no topo significa que mais responsabilidades serão assumidas, por isso, volto a dizer que é melhor começar pelas responsabilidades da própria carreira.
Algumas ações podem ajudá-lo a ser o CEO do futuro, como:
Priorizar atividades que geram resultados – Não perca tempo com atividades que não tragam bons resultados. Conte com o planejamento estratégico para alcançar níveis de excelência ao longo do seu dia-a-dia;
Buscar responsabilidades e assumi-las – Sabe aquele projeto importante que o seu chefe está para começar? Prepare-se e esteja à disposição para colaborar. Para que você possa ser visto, muitas vezes é preciso se expor. Não espere, crie suas próprias oportunidades e lembre-se: quem não é visto não é lembrado;
Inovar e criar – Não realize suas tarefas de maneira automática, ou seja, pense sempre no que pode ser melhorado. Inovação é algo que toda empresa busca e, se você fizer isso também, há grandes chances de criar algo que faça a diferença para sua organização;
Aprender a cada instante – Aproveite todas as oportunidades para aprender algo novo. Acredite que não existem erros e acertos, apenas resultados. A partir deste pensamento, idealize maneiras de aprender com os resultados e ir à busca das suas metas;
Investir em você – Estude, trabalhe seu desenvolvimento pessoal e busque atividades que realmente lhe dão prazer e geram mais impacto positivo nos seus resultados. Para crescer na empresa é preciso crescer internamente, como indivíduo.
Conviver com profissionais experientes; estudar seus comportamentos, a forma como pensam, agem e superaram desafios; a maneira de se comunicar com o restante da equipe; e as estratégias que usam para lidar com as crises pode contribuir significativamente para o jovem “comprimir décadas em dias”. Com isso é possível aprender em pouquíssimo tempo o que seu modelo demorou para aprender em uma vida. Mas, não adianta conhecer e saber o que eles fazem e como fazem se nada for colocado em prática. Por isso, não se esqueça: o segredo está em entrar em ação para descobrir qual será o seu real caminho.
Carlos Cruz atua como Coach Executivo e de Equipes, Conferencista em Desenvolvimento Humano e Diretor da UP TREINAMENTOS & CONSULTORIA. Para mais informações acesse www.carloscruz.com.br

Comments off